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Janeiro/Março 2020
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Esporte e Saúde

Igual como antes nas cidades, sedes da Copa do Mundo 2014

  • Marcelo Campos Machado
  • Conforme a conclusão do 1º Relatório Cidades do Esporte, da ONG Atletas pelo Brasil, a realização da Copa de 2014 não trouxe mudanças significativas nas políticas de esporte das cidades que a sediaram.

    Copa do Mundo 2014

    Sediar partidas da Copa do Mundo não foi suficiente para trazer mudanças significativas nas políticas públicas de esporte nas 12 cidades sede, o que pode ser notado com a não ampliação do acesso à prática esportiva nas escolas. O relatório foi lançado no mês de novembro em São Paulo, durante o II Seminário de Esporte e Desenvolvimento Humano, dentro da Semana Internacional do Esporte pela Mudança Social 2014. O seminário é realizado a cada dois anos pela Rede Esporte pela Mudança Social (REMS). O relatório está dividido em três partes: “Institucionalidade e Recursos”; “Infraestrutura e Equipamentos”; e “Programas, Projetos e Práticas”. Esses três aspectos permitem avaliar o investimento dos municípios em políticas públicas voltadas para a prática esportiva e de atividade física, para além dos equipamentos e investimentos tradicionais. 

    O levantamento utiliza como base informações relativas a 2013 reportadas pelas prefeituras de São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Salvador (BA), Recife (PE), Natal (RN), Fortaleza (CE), Cuiabá (MT) e o Distrito Federal. As cidades de Rio de Janeiro (RJ) e Manaus (AM) não validaram os dados e por isso não foram analisadas pelo relatório. A ex-jogadora de vôlei Ana Moser, presidente da Atletas pelo Brasil, lembrou que o projeto ‘Cidade do Esporte’ começou durante as últimas eleições para prefeito. “Essa iniciativa nasceu de um movimento que surgiu em 2012, quando convidamos os prefeitos, na época ainda candidatos, para assinar um compromisso sobre o esporte nas cidades-sede”, conta.

    Dois dados destacados no relatório são preocupantes: o baixo valor destinado às secretarias de esporte e o baixo número de escolas com equipamentos aptos para a prática esportiva. Segundo o levantamento, nenhuma das cidades analisadas destina mais de 1% do orçamento para órgãos responsáveis pela política pública de esporte e apenas 45% das escolas naqueles municípios e no Distrito Federal têm pátios, quadras ou ginásios poliesportivos. Quando se trata de prática esportiva para pessoas que não estão em idade escolar, o diagnóstico é ainda pior: menos de 1% dos adultos têm suas atividades físicas monitoradas nas cidades mencionadas. Além disso, há poucos profissionais para atividades esportivas monitoradas. As recomendações internacionais apontam que deveria existir um professor de educação física para cada 1.000 habitantes. Somente o Distrito Federal informa possuir uma relação de profi ssionais por moradores dentro dessas normas. Em cinco das cidades analisadas, essa proporção é de 4.000 habitantes para cada profissional.

    O projeto Cidade do Esporte quer realizar essa avaliação pelo menos até 2022, ano em que a Atletas pelo Brasil gostaria de ver cumprida algumas metas no nosso país, como as de atingir 100% das escolas em todo o território nacional com esporte educacional e dobrar a atividade física da população.

    por Marcelo Campos Machado

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