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Janeiro/Março 2020
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Comunidade

Carmo terá Museu Arqueológico

  • Carmo do Rio Claro terá o seu primeiro museu, o Museu Histórico e Arqueológico Antônio Adauto Leite, que tem no seu acervo peças indígenas das tribos Tupi-Guarani e Katuauá, que viveram nas terras do município.

    Esse projeto era um antigo sonho do produtor, artista plástico e autodidata em arqueologia, Antônio Adauto Leite, 83, que está se transformando em realidade com o incentivo do Promotor de Justiçaa, Cristiano Cassiolato, e apoio da prefeita Cida Vilela. O Museu será aberto em prédio da prefeitura em local que foi no passado palco das artes carmelitanas, pois sediou o teatro do Colégio Sagrados Corações.

    A sala do Museu passou por adequações para a exposição das peças e abordar, através de simbologia, a retirada das peças da terra. Painéis também comporão o cenário com informações sobre as tribos que viveram na região e o seu trabalho artesanal. Um espaço foi reservado para pesquisas e deverá atrair arqueólogos de todo país. Segundo a prefeita Cida Vilela, a administração tem investido cada vez mais na cultura. Sabemos que outras áreas ganham como a educação, a economia e, principalmente, o turismo regional. Carmo do Rio Claro tem se tornado referência na região. A emocionante ter a oportunidade, como prefeita, de presentear a minha cidade com algo de imensurável valor. O sonho do Sr. Antônio Adauto é também um sonho meu e da cidade, disse a prefeita. Emocionado com a proximidade de abertura do Museu, Antônio Adauto também se mostra apreensivo. A populaço já cobra a abertura do Museu, disse.

    A história do Museu Arqueológico começou há muitos anos, desde a década de 50, quando Antônio Adauto Leite começou a encontrar peças indígenas, na sua fazenda Panorama, e passou a colecioná-las. O acervo, hoje de 3 mil peças, considerado um dos maiores do gênero no país. Foi doado ao município de Carmo do Rio Claro no início de 2011, através de uma ação do Ministério Público local.

    Tudo começou com o achado de uma Igaçaba (urna funerária), por um dos moradores da região da fazenda Panorama. Essa peça, mais algumas outras preservadas pela mãe de Antônio Adauto, deram início a um projeto cultural de mais de 50 anos.

    Durante todo o seu trabalho na fazenda Panorama, Leite teve o maior cuidado em manusear a terra e a partir desse trabalho cuidadoso foi encontrando sítios arqueológicos e preservando o que encontrava. Ficou conhecido e, também, passou a receber em doação peças encontradas em outras propriedades e na região. São Igaçabas, machadinhas, adereços, utensílios como potes de barro, cachimbos, quebra-coco, pedra-de-funda entre muitas outras peças.

    A primeira instituição a catalogar as peças foi o Instituto de Arqueologia do Rio de Janeiro. Recentemente, as peças foram catalogadas pelo arqueólogo Edson Luis Gomes que trabalha na montagem e abertura do Museu.

     

    Autodidata

    Além de preservar as peças, Antônio Adauto estudou a cultura indígena e se transformou em um apaixonado pela causa. Manteve com recursos próprios a preservação das peças por mais de 5 décadas. Segundo Antônio Adauto a tribo Tupi-Guarani veio para a região escravizada, a Katuauã tinha raízes na região. Durante suas pesquisas descobriu que as tribos deixaram marcas para a posteridade através de nomes de rios e locais como Itacy, Itapecerica, Itajaí, Sapucaí, entre outros.

    A filha de Antônio Adauto, Suzana Araújo Leite Hervas, será a curadora do Museu. Suzana cresceu participando dos trabalhos de pesquisa do pai e, hoje, está apta para conduzir os visitantes do Museu para uma viagem de conhecimento sobre as tribos indígenas. Muitas vezes o nosso divertimento na fazenda era a busca de sítios arqueológicos, disse. Ainda segundo Suzana também será criado o grupo Amigos do Museu, para atuar na preservação desse patrimônio histórico do município carmelitano.

    Para o arqueólogo Edson Luis Gomes, Minas Gerais o Estado que mais fomenta a cultura e que mais tem museus. Sorte dos carmelitanos que tem um Antônio Adauto. Nada mais justo do que o museu ter o seu nome, disse. Ainda segundo Edson, que defendeu uma tese na pós-graduação sobre a cultura indígena, ele não conhece nenhum município que tenha recebido uma coleção inteira em doação.

     

    Histórico

    Antônio Adauto Leite natural de Carmo do Rio Claro. Nasceu na fazenda Córrego Bonito. Fez o Colegial em Varginha e Juiz de Fora, onde descobriu o seu dom voltado para as artes. De volta a Carmo do Rio Claro trabalhou na fazenda Panorama com produção de leite, café e extração de mel. Durante o trabalho dedicado à terra, também se dedicou a preservar as peças indígenas que encontrava na sua propriedade, durante o preparo da terra para plantio. O restaurador de imagens sacras e decorador. Por mais de três décadas foi o criador dos presépios da Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo.

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